[dorkbotrio-debate] FW: O fim de 68 - interven çã o do debord/ "Que situa çã o, hein, D è bord?": Um relato breve
Moana Mayall
moanamayall at uol.com.br
Tue Jun 10 16:56:24 EDT 2008
(Copiando mensagem enviada também à lista Submidialogia)
Pois é... Giuliano, vocês tiveram ao menos alguma resposta ou posição sobre
esse assunto dos filmes retidos com a Milena? (Uma contradição total...)
(Sobrou verba, sim- sua proposta é bem oportuna e apoiada)
Acho legal relatar à lista alguns pontos da experiência que vivi como
integrante assídua do publico dos debates e seleções comentadas do "Que
situação, hein, Dèbord?".
Participei bem de perto desse mesmo evento sobre o Dèbord e suas vertentes
contemporâneas, pra ver no final não desembocarem em nada no Rio de Janeiro,
que ficou sem o projeto de intervenção urbana. Em São Paulo aconteceu, com o
título "Manifesto 21- Todos são artistas".
O projeto de intervenção, que tinha um convite aberto a todos, inclusive
feito no folder no evento, consistia na inscrição no wikispace do festival,
reuniões ao longo do evento, "passeios psicogeográficos" e captação de
imagens pela cidade, para uma intervenção urbana ao final (também um
"produto" cultural financiado pelo edital do CCBB).
Havia designada tanto uma verba para locação de equipamento para filmagem
como para todo equipamento previsto na intervenção no Rio. No entanto, nada
disso aconteceu, a não ser algumas reuniões da curadora com os inscritos.
As reuniões matinais nunca aconteciam na hora certa, o que fez com que
alguns inscritos desistissem. O pequeno grupo de inscritos que se manteve
firme nem usou equipamento "do CCBB". Contamos com a câmera de uma das
participantes o tempo todo. Também ficamos bem independentes quanto aos
temas de registro para a intervenção, até porque nem sempre a galera do
evento podia participar de nossas filmagens- algumas vezes não tinham tempo,
porque agendaram ver na cidade alguns espetáculos da "sociedade do
espetáculo".
De qualquer forma, o grupo estava disposto fazer a intervenção, marcada para
uma terça-feira, na praça XV, no dia 6 de maio, juntando inscritos, "mm não
é confete" e "media sana", de Pernambuco. A lista prevista na verba do
evento incluia equipamentos para projeção, VJ, captação e transmissão de
imagens em tempo real.
A idéia era combinarmos registros em vídeo e som da cidade, temas
dèbordianos e deleuzianos como sociedade do espetáculo e sociedade do
controle. Vigilância, espaço público/privado, "comunicação" visual
publicitária, "espetáculos" urbanos de rua etc etc. Faríamos a intervenção
vestidos com terninhos pretos de segurança, projetando esse material e
também imagens em tempo real, também nos comunicando com o público em volta,
com todos os "detournements"(desvios situacionistas) e imprevistos
bem-vindos.
Bom, para tentar resumir um pouco, a equipe do evento foi adiando a
intervenção para a outra semana, até culminar numa desistência silenciosa,
alegando uma série alternante de motivos, como falta de tempo para
autorização da subprefeita para ocuparmos a Praça XV, "problemas com a
produtora" e até falta de um conhecimento mais especializado sobre a Praça
XV... tudo muito vago. E nisso ficou. A data, desmarcada por elas a 3 dias
da intervenção acontecer, era 16 de maio.
Nosso grupo acabou fazendo uma "intervenção-sussuro", projetando alguns sets
com vídeos que fizemos ao longo dessas semanas "Que situação, hein,
Dèbord?". A resposta foi um "Debosh" na Lapa, uma intervenção que não pediu
licença para subprefeita alguma, independente da galera do evento do CCBB.
Nessa mesma sexta, dia 16.
Tivemos ao final patrocínio bem popular, como energia vinda das gambiarras
elétricas de um vendedor de rua, com a permissão do "dono do ponto", pessoas
que conhecemos na hora, revelando pra gente outras relações de poder naquele
território. "Morremos" nuns 7 reais e vários cigarros, cedidos ao "dono" e
aos meninos que dormem ali. O projetor, de apenas 800 lumens, conseguimos
emprestado 2 dias antes. Pesquisamos temas referentes a bancos,
financiamento e máfia cultural, "sociedade espetaculosa" e de consumo,
psicogeografias urbanas, intra-urbanas (apartamentos, casas e barracos),
câmera vigilante, identidades coletivas na TV e web etc. Meio em cima da
hora, com sets ainda a trabalhar/ remixar.
Quem quiser ver alguns registros em vídeo, há esse no youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=sE-7EM0XsGM
Em breve teremos um blog divulgando outras pesquisas e projetos, além de
alguns sets que não saíram no registro acima.
bjs e abraços,
Moana
On 03.06.08 13:51, "giulianodjahjahbonorandi" <boreste at gmail.com> wrote:
> oi milena,
>
> fizemos uma intervenção aqui no rio cortando um fusca 68. veja o link abaixo.
> foi muito maneiro. uma catarse coletiva. todo destruindo o fusca.a idéia é
> destruir 68 pq ele é extremamente fetichizado numa sociedade que vive de
> carros.
>
> gastamos 400 reais pra fazer essa performance, e como, não houve a intervenção
> do debord aqui no rio, queria saber se tem como rolar um pós financiamento, ou
> até um financiamento que dê pra fazer outro corte desses. mais divulgado
> talvez....
>
> e aí? que vc acha?
>
> !!
> giuliano
>
> ---------- Forwarded message ----------
> From: giulianodjahjahbonorandi <boreste at gmail.com>
> Date: 2008/6/3
> Subject: O fim de 68
> To:
>
>
> 68 já era
> destruído.
>
> http://betamultimidia.com/dorkbot-rj-zero-desconstruindo-68/
> http://www.vimeo.com/1100663
......................
Moana Mayall
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